Dez dicas espirituais para lidar com o coronavírus

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Este é um momento particularmente difícil da história da humanidade, onde o novo coronavírus preocupa muitas pessoas, sem saber como agir e muitas vezes prejudicadas pelo medo.

Para alguns, pode haver uma tendência a se comportar de maneira egoísta ou irracional, em que as emoções geralmente substituem as boas decisões.

Já vimos exemplos de pessoas se comportando de forma irresponsável na compra ou acumulação de pânico, ignorando o distanciamento social ou as diretrizes de higienização das mãos. Outros sonham com teorias da conspiração e alguns até espiritualizam o problema como uma praga divinamente enviada, acreditando ingenuamente que somente a fé religiosa os protegerá da contração do vírus.

No entanto, também vimos exemplos de grande heroísmo (especialmente na equipe da linha de frente), boa vontade, solidariedade humana e coragem. Sempre existe um caminho, as pessoas nas trevas sempre encontram o caminho para a luz.

Inácio de Loyola  sobreviveu a uma grande lesão com risco de vida, convalescença, vida implorando na estrada e tempos de grande incerteza. Ele desenvolveu uma abordagem para “viver a dificuldade” com base em sua experiência e usando certas regras práticas. Com base nessas idéias, ofereço humildemente algumas reflexões e conselhos práticos que podem ser úteis.

1. Viver no real

A primeira coisa é aceitar essa nova realidade que nos ultrapassou. Essa é uma transição dolorosa, à medida que tentamos nos apegar ao passado, achando tão difícil aceitar mudanças tão radicais. Coisas que tínhamos por certo, como apertar as mãos, socializar e até ir à escola ou ao trabalho, mudaram radicalmente. O slogan inaciano ‘Encontrando Deus em todas as coisas’, nos desafia a encontrar paz ao habitar este novo, não solicitado pela realidade. O principal, portanto, é aceitar a nova realidade ou o “novo normal”. Aplicam-se regras diferentes e todos nós somos solicitados a alterar nosso comportamento para nos proteger e, fundamentalmente, para proteger os outros, especialmente aqueles classificados como vulneráveis ​​ou com uma condição de saúde subjacente. Não é à toa que a ciência médica precisa ditar nossa abordagem, mesmo considerando que as instituições médicas também estão se esforçando para lidar com isso. Agora não é hora de teorias privadas, abordagens alternativas ou métodos não testados. 

 

2. Enfrente seus medos

Embora o medo, a ansiedade e a preocupação sejam respostas normais à situação atual, é importante não deixá-los assumir o controle. O medo não é um bom conselheiro ou guia; levado ao extremo, é incapacitante e imobilizador. Inácio recomenda agir diretamente contra forças inúteis, como o medo, que podem nos motivar a tomar más decisões. Seu termo para isso é ‘agere contra’, que significa ‘agir contra’. O principal a chegar aqui é que Inácio está nos pedindo para recuar, ser proativos e não desistir. Isso pode ser resumido como: “sinta o medo e faça a melhor coisa de qualquer maneira”. Contemple sua mortalidade e a fragilidade da vida que essa crise aponta. O paradoxo é que aceitar esse fato nos permite realmente viver e agir adequadamente. Todo dia é um presente, um empréstimo do futuro. É um milagre que existamos. Normalmente, estamos tão ocupados “vivendo” que tomamos o presente da vida como garantido. Somos mantidos e amados pelo divino. Reserve um momento para deixar que essa realização vivificante afunde. Não há nada a temer. De fato, temos a chance de colocar nossos assuntos em ordem aqui, fazer um balanço, reconhecer falhas e triunfos e ver a mão do Espírito aqui. Reflita sobre a pergunta da poeta Mary Oliver,”O que você fará com sua vida selvagem e preciosa?”

 

3. Evitar extremos

Situações extremas tendem a trazer reações extremas. Um dos extremos é ficar tão sobrecarregado que você quase fica paralisado pelo medo e incapaz de praticar de maneira sensata as diretrizes recomendadas para lidar com esse vírus. O outro extremo é a tentação de negar ou subestimar o risco envolvido. Talvez você se sinta “à prova de balas” quando jovem ou apático e desmotivado como pessoa mais velha. Nos dois casos, a pergunta inútil, ‘com o que eu me importo?’ pode estar dirigindo suas ações. Entre os dois extremos está o espaço que a maioria de nós é chamada a habitar. Lá, podemos tomar todas as precauções necessárias e encontrar uma maneira de “viver dentro dos limites” que tenha o autocuidado equilibrado com a preocupação pelos outros. O objetivo é aceitar a situação e tomar medidas responsivas razoáveis, espero poder encontrar significado e propósito nesta nova realidade. Inácio usa a palavra ‘discernimento’ para sublinhar como tomar boas decisões. Isso envolve levar tempo, estar ciente da atração dos extremos e tentar encontrar opções mais razoáveis. Também inclui pesar cuidadosamente as escolhas, obter conselhos e avaliar os resultados.

 

4. Concentre-se na luz

Uma das idéias cristãs centrais é que, quando as trevas estão por toda parte, somos chamados a manter-nos fiéis e focados na luz, não importa quão fraca ela pareça. Lembre-se da dinâmica da cruz. Em momentos de escuridão e aparente abandono, Deus trabalha com mais poder. Deus está conosco na bagunça das coisas. A alegria da ressurreição segue sempre a angústia da cruz. É importante reconhecer que ainda temos opções aqui e como agimos é importante. Precisamos assumir a responsabilidade e agir com sabedoria, sem ficar paralisado pelo medo ou, alternativamente, impulsionado por uma impulsividade precipitada (compra de pânico, por exemplo). Agora existem novas oportunidades de solidariedade, apoio a outros e construção de comunidade. Ironicamente,

 

5. Mantenha-se em equilíbrio

Em tempos de crise ou tempestade, é realmente importante ancorar-se para não ser levado pelo vento. Inácio recomenda manter os olhos no caminho, um passo de cada vez, seguindo em frente. É a imagem de uma jornada ou peregrinação em que você cuida dos seus pés e confia na trilha. Isso significa acertar no básico – descanso, estrutura, dieta, exercício, socialização apropriada e manter-se ocupado. O problema neste momento de grande agitação social é que as pessoas podem ficar assustadas, chateadas e irracionais. Podemos nos distrair ao acertar o básico, tirando os olhos da estrada e olhando a tempestade. É compreensível que isso aconteça, mas também temos o poder de controlar o nosso próprio comportamento e nosso bem-estar físico e mental.

• Coma bem, evite lanches e fast food.
• Faça exercícios, evite longos períodos sentados.
• Fique conectado com as pessoas, não fique muito isolado.
• Tente fazer bom uso do seu tempo, colocando novas estruturas e hábitos no lugar.

Isso é desafiador, mas não impossível, normalmente leva de 6 a 7 semanas para configurar uma nova rotina. A criação de bons hábitos nos ajudará. Faça isso gradualmente, dê um passo de cada vez, mas continue em movimento.

 

6. Avalie seus pontos fracos

Inácio nos aconselha a reforçar nossas defesas quando sob ataque, lembrando que são nossas fraquezas ou vulnerabilidades que são frequentemente exploradas. Ele usa a imagem de um castelo sitiado. Os invasores não invadem o portão principal, mas procuram uma porta dos fundos desprotegida ou uma rachadura na parede. Esse tipo de crise da saúde desperta em nós medos profundos sobre falta de controle, quebra de estruturas, etc. Pode facilmente alimentar nossas fraquezas existentes de preocupação, obsessão e comportamentos extremos (pense em como alguém com TOC pode ser dominado por medos de contaminação) . Uma regra de ouro inaciana útil é descobrir quais são seus pontos fracos e abordá-los primeiro. Por exemplo, reconhecer que tenho medo ou ansiedade por natureza me permite abordar essas preocupações primeiro. Isso é empoderador. Agora eu tenho uma estratégia. Eu não tenho que consertar tudo, apenas o suficiente para bloquear os ‘buracos’. Talvez você precise usar técnicas psicológicas como a Terapia Comportamental Cognitiva (TCC), que pergunta se certos pensamentos são razoáveis. Ou você pode usar a oração concentrada para trazer a graça de Deus para uma antiga ferida.

 

7. Oração verdadeira

Este é um tempo de oração. A oração é uma resposta natural à incerteza e perda de controle. Permite-nos estar em comunicação com o divino. Nos capacita a agir e viver sem medo. A oração pode ser tão simples quanto uma conversa ou diálogo com o criador, a fonte do nosso ser. A chave é levar todo o nosso ser a Deus, incluindo todos os nossos medos e preocupações, e pedir ajuda e orientação. Dê tudo a Deus, todo o medo, preocupação e preocupação. Isso pode ser difícil, pois queremos estar no controle. É difícil pedir ajuda quando a cultura moderna esbarra na ideia de divindade e em qualquer coisa que não seja o indivíduo solitário existente em um mundo material. No entanto, há algo mais acontecendo aqui nestes tempos extraordinários. A precariedade da vida está sendo revelada para nós. Nossa interconexão e necessidade de comunidade está se tornando clara. Há um apelo para que abracemos nossa humanidade limitada e nossa necessidade de um amor superior. Isso não é uma teoria ou um conceito, é uma experiência. Experimente e veja o que acontece.

 

8. Concentre-se no que você pode fazer

Embora haja muitas coisas que você claramente não pode fazer sem violar as diretrizes oficiais, há muitas outras que você pode fazer com segurança. Veja esta crise como uma oportunidade para melhorar a si mesmo, ser uma pessoa melhor e ajudar os outros. Não insistir na negatividade e medos. Tente agradecer, sendo grato pelas pequenas coisas. Reserve um momento no final de cada dia para olhar para trás e ver os momentos de luz que só podem ser vistos com retrospectiva e reflexão. Desenvolver gratidão é um antídoto poderoso para a negatividade e a apatia.
Existem vários exemplos de ações positivas que as pessoas já estão realizando. Então você pode:

• Verifique os vizinhos, especialmente os mais velhos e vulneráveis
• Mantenha-se em boa forma, observe sua dieta e mantenha um equilíbrio saudável, relaxe ao ar livre
• Aproveite bem o seu tempo, faça novos hobbies.
• Use isso como uma oportunidade para construir ou fortalecer relacionamentos com familiares e amigos.
• Descubra o que você pode oferecer para essa situação.
• Todo mundo tem um dom ou talento, algo a oferecer a outros.

Ore com o problema, concentre-se na solução.

 

9. O maior bem

Existe um dilema na teoria dos jogos em que um jogo é criado de tal maneira que um jogador solitário recebe uma pequena recompensa por agir egoisticamente, enquanto que se todos os jogadores cooperam, eles recebem uma recompensa conjunta muito maior. Esta é exatamente a situação que enfrentamos agora. Agir egoisticamente, armazenando e protegendo apenas a si mesmo, é uma estratégia limitada. Todo mundo sabe que a única maneira de isso funcionar a longo prazo é se as pessoas cooperarem. ‘Existe comida suficiente para todos’ é o mantra das lojas, mas apenas se as pessoas agirem de maneira contida e responsável. Isso é preocupante, mas é verdade. Todos nós precisamos manter nossos nervos e cooperar para fazer bom uso de alimentos e instalações médicas. Precisamos cooperar e apoiar uns aos outros pelo que provavelmente será um longo período de alguns meses. Estender a mão e fazer algo pelos outros tira o foco de nós mesmos e beneficia tanto o doador quanto o receptor. Inácio diz que “o amor se mostra mais em obras do que em palavras”. O impacto de uma palavra, texto ou oração por outro nestes tempos excepcionais não pode ser subestimado.

 

10. Tomar boas decisões

Agora, mais do que nunca, precisamos ter certeza de que tomamos boas decisões. Alguns dos principais aspectos dos conselhos de saúde que recebemos requerem uma boa tomada de decisão. Observamos se estamos apresentando certos sintomas, por exemplo, e decidimos obter ajuda ou teste médico apropriado. Além disso, crucialmente, temos que proteger os outros por nosso comportamento responsável e até mesmo por nossa ausência em alguns casos. Algumas das regras inacianas para discernimento são úteis aqui: colete o máximo de informações possível, faça julgamentos imparciais e imparciais sobre situações e pessoas e atue de maneira ética e socialmente responsável. Inevitavelmente, haverá pessoas que serão confrontadas com decisões complexas e desafiadoras que envolvem outras pessoas, incluindo algumas que podem ser medicamente vulneráveis. Eles precisam ser capazes de seguir conselhos, consultar com sabedoria e decidir com a cabeça clara. Para todos nós, é especialmente importante não entrar em pânico ou ser governado por emoções. Embora compreensíveis nessa situação sem precedentes, emoções fortes podem ser inúteis na boa tomada de decisões. O que pode ser útil é imaginar um conjunto de prós e contras, agir como advogado do seu próprio diabo e tentar encontrar soluções imaginativas para os problemas. Santo Inácio adverte em tempos de estresse que não devemos reverter nenhuma decisão sólida anterior e ter cuidado ao entrar em pânico para tomar decisões precipitadas.